segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Desabafo ao vento

Nunca vou entender qual a relação especifica que o clima tem sobre nós, mas, certamente dias frios me deixam mais triste, desanimada e totalmente sem rumo. Hoje deveria ser só mais um dia, um dia parado, um dia chato, um dia sem nada certo (...) é tem sido assim, mas tem sido também um dia triste, triste até demais. 
Sempre fui boa em superar as perdas da vida, mas perder ele foi demais para mim, perdê-lo para a morte, vê-lo ali sem ânimo, sem vida sem aquela alegria, sem aquele jeito dele, aaaah aquilo foi demais, mais que demais.
Não sei ao certo o motivo real de estar aqui escrevendo, mas sabe? Não é que eu sofra todos os dias, mas tem dias que são fogo, tem dias que bate um desespero, uma vontade de correr até lá, cavar aquele buraco, abrir aquele caixão, e te abraçar, chorar em teus braços, mesmo sabendo que a essa altura já devem ter apenas vestígios, um ano se passou muito rápido (...)
O real tem se fundindo com o irreal, veja parece-me você ali naquele canto, me chamando, falando meu nome, você sorri, como é bom ver esse sorriso, mas espere, você está se dissolvendo no vento, sua imagem está ficando fraca, distante, e aos poucos, aos poucos você se vai, e novamente se foi, mais uma vez sem você, sem seus vestígios. 
Será loucura minha? Seria confusão de sentimentos? Seria o quê sentir tudo isso que estas aqui em mim agora? Não importa, pouco importa o que dizem os sábios, os mais velhos, os especialistas, dane-se todos, eu sei o que sinto agora, e sei o que senti antes, eu o senti aqui, então você esteve aqui!
Mas porque você veio até aqui hoje? Veio sorrindo. Estás feliz? Veio me mostrar sua felicidade? Ou veio rir de mim,pela dor que carrego?
Estou a cada instante mais confusa, mas não há muito o que ser feito. Músicas tristes não dissolvem minha dor, na verdade mim afundam em um mar de dor, rancor, magoas, saudade e por fim desespero.
Desespero por não saber quem sou, o que sinto, quem és tu, o que fazes agora, o que sentes, o que vives. Desespero por não te ter aqui, pelo menos vivo. Já era o suficiente para mim, espiar sua vida pela vida dos outros, já que fui banida da sua vida, indevidamente, por conta de terceiros (mas não vamos falar disso, não vamos cutucar essa ferida), mas você estava vivo, e hoje, vive apenas dentro de mim.
Fico aqui, sem respostas, sem ninguém para ouvir meu desabafo, sem rumo, sem entender nada.